terça-feira, 15 de agosto de 2017

RESENHA CRÍTICA DA OBRA : Se a boa escola é a que reprova, o bom hospital é o que mata.

                                            Referências Bibliográficas: WERNECK, Hamilton. Se a boa escola é a que reprova, o bom hospital é o que mata. Rio de Janeiro; DP&A, 1999.
                                              Gênero da Obra: A referida obra é composta de dezesseis capítulos, com uma característica multidisciplinar, o que fica provado que sem a auto-estima, há uma certa dificuldade de se assimilar conceitos, ainda mais conceitos novos que o sistema educacional nos propõe.
O quê é e como avaliar? Bem, esta é uma das ações humanas que mais acontecem, principalmente no âmbito escolar, e sempre somos avaliados independentemente de onde estejamos. Werneck traz então uma discussão que é muito significativa, ao mesmo tempo que chega a ser uma provocação para todo educador. No decorrer desses dezesseis capítulos este conceito, tanto qualitativo quanto a seus desdobramentos são apresentados na ordem a serem expostos nesta resenha.

               Capítulo 1: A falácia a Curva de Gauss

O primeiro capítulo, intitulado como A falácia da Curva de Gauss, Hamilton Werneck afirma que a curva de Gauss era muito usada na estatística e era utilizada pelos pedagogos para avaliar seus alunos, a maior parte dos alunos estava na região normal, acima do primeiro desvio positivo estavam aqueles que eram os mais inteligentes, ou melhor dizendo, os bem dotados e abaixo do primeiro desvio negativo estavam aqueles mais trabalhosos e que ficavam reprovados, a curva então é um engano porque admite critérios iguais de tempo, sendo que os alunos aprendem em tempos diferentes e precisam ser avaliados em tempos diferentes também.
                 
Capítulo 2: Amassando a curva

Em seu segundo capítulo intitulado Amassando a curva, o autor fala sobre a importância de estabelecermos mais tempo para aqueles alunos que demoram mais a assimilar e ainda afirma que teremos resultados um pouco digamos que curiosos e positivos, o tempo fica a cargo do professor e o que na verdade importa é ter um sistema que consiga ensinar e verificar o aprendizado do maior número possível de estudantes, isso quer dizer que é necessário mudar esse padrão e enxergar as diferenças entre as pessoas, ou seja, trata-se de amassar a curva.
        
                    Capitulo 3: O currículo mata

Neste capítulo o autor propõe uma reformulação do currículo escolar, onde o mesmo deve ser adequado aos tempos, ou seja, trazer disciplinas que seus conteúdos tenham uma aplicação pratica na vida. Segundo o autor é preciso prepara os alunos para a vida na sociedade e no trabalho, então o currículo atrasado e defasado da realidade desanima os alunos e não os motiva a estudar. O currículo ideal deve ter acima de tudo atualidade e utilidade, é necessário trazer conteúdos que irão servir para a vida uma vez que, a ciência muda constantemente por isso é necessário atualizar-se fazendo com que tudo que seja ensinado tenha sentido prático.

                     Capítulo 4: A quantidade satura

Conforme o autor, temos uma capacidade máxima para a absorção de palavras em um determinado intervalo de tempo, onde, se extrapolarmos esta quantidade de palavras os alunos não conseguirão compreender o que o texto quer mostrar, devido a carga de textos das mais variadas disciplinas exceder este limite. Teremos como resultado um completo desanimo e desleixo perante esta carga de leitura.
            Como consequência do que deveria ser um processo de renovação, se transforma em um momento de “tortura das inteligências”, juntamente com um currículo que obriga o aluno a aprender o que gosta e o que não gosta o que venha a ser necessário para a sua vida e também o que é totalmente desnecessário para ele. A intervenção do elitismo na educação promovia uma verdadeira seleção na massa da população, onde este, determinava um progresso de uma pessoa pelo nível de seu diploma.
O autor ainda faz um apequena analogia do sistema educacional com uma indústria, onde esta, para continuar produzindo necessita de altos custos devido aos seus equipamentos atrasados, da mesma forma seria a escola ensinando com métodos e metodologias atrasadas. No decorrer do texto o autor faz alguns questionamentos, como por exemplo: “se a quantidade satura, quem poderia ajudar nesse processo de enxugamento [...]? O professor? ” Este por sua vez já se encontra em um alto nível de saturação, devido as exigências impostas a ele. Os administradores da educação não podem esquecer de preparar as pessoas para manusear os equipamentos modernos que chegarão a escola, que por sua vez, se não forem bem utilizados não terão serventia alguma.
     
               Capitulo 5: Afinal o que é qualidade

O capitulo traz em sua trajetória esta discussão de que  devemos fazer com que o nosso trabalho como educador seja articulada com eficiência alcançando os objetivos com êxito em que a qualidade seja mais importante que a quantidade, como um local que cada vez o “capital” está presente  a escola passa a ser uma empresa que seu principal objetivos e formar uma grande quantidade de cidadãos que disputam uma carreira no mercado de trabalho, cada vez mais exige   conteúdos sejam apresentados de forma intensa,  para que os objetivos que o mercado propõem sejam alcançados e o profissionais  envolvidos trabalhem com eficácia, mas por outro lado temos um problema pois não estamos formando “robôs” e sim seres humanos que devem ter uma formação cidadã, em que não podemos apenas apresentar um acervo de conteúdo sem saber que está realmente acompanhando o conteúdo, a qualidade traduz o que pode ser feito com cuidado, planejamento, atenção que são ferramentas primordiais de uma atividade bem realizada, mesmo com muitos recursos temos que se apoiar no esforço e na compreensão do profissional em que o aprendizagem  não depende exclusivamente de conteúdo, mas também de tempo e dedicação de quem está envolvido neste processo.
Portanto a reflexão que este capitulo traz e muito importante na reflexões dos profissionais, aqueles envolvidos no processo de aprendizagem e também de outras áreas de atuação, não podemos deixar que sejamos ultrapassados, mas também não devemos deixar que as técnicas ou a competição que está presente na sociedade atual possa afetar o bom desempenho intelectual e pessoal dos estudantes, em que a educação deve ser um fonte de conhecimento e uma fonte de formação de cidadãos conscientes que possam atuar de forma quantitativa e qualitativa no mercado de trabalho.

                                          Capítulo 6: A utilidade anima.

Neste capítulo o autor afirma que as aulas nas quais são abordados assuntos considerados úteis pelos os alunos, despertam o interesse e prazer em estudar. E que é necessário, portanto, quebrar a tradicionalidade acentuada no ambiente escolar, a qual tem se tornado ultrapassada. Propõe assim, uma transformação educacional que retire das disciplinas escolares todo o acervo de conteúdo ultrapassados, sem utilidade. Para inserir temáticas atualizadas, objetivando melhorar tanto a qualidade, quanto a utilidade do ensino.
Segundo Hamilton, é necessário que os educadores percebem que chegamos no limite da resistência a mudança. Os discentes vivenciando o meio virtual atual, não suportam mais as aulas tradicionais, e tendem a serem cada vez mais desobedientes ao tradicionalismo. Por isto se torna tão importante essa transformação educacional de trocar o inútil pelo útil, motivando os discentes e trazendo a felicidade em aprender.

Capitulo 7: A atualização motiva

Nesse capitulo, o autor enfatiza a importância de os professores atualizarem os conteúdos trabalhados em sala de aula, para que o processo de ensino e aprendizagem dos discentes sejam significativos e consequentemente tenham utilidade.
Considera também, que esses conteúdos quando contextualizados com a realidade dos alunos/as motiva o interesse pelos estudos. Os discentes percebendo a utilidade do conteúdo agregara valores e importância ao ensino.
Fala também da acomodação do sistema educacional, que o modelo de ensino esta pautado no tradicionalismo, e que o professor tem que buscar alternativas e inovar nas suas aulas para que os discentes se sintam motivados a apreender.
Mostra, que os docentes cristalizados em um currículo antigo são considerados “professauros” e não professores, ou seja, o sistema educacional deve buscar se atualizar em suas didáticas teóricas e metodológicas.
Faz, uma retrospectiva das mudanças que ocorrem na sociedade, dessa forma, enfatiza a quantidade de informações que são produzidas cotidianamente. Para o autor, a atualização destas fazem com que os alunos/as despertem o interesse por temáticas “novas”. Sendo assim, o professor deve ficar atento e adaptados a exigência dos discentes.
Propõe, que o professor precisa saber que os alunos aceitam facilmente o processo de atualização, e devido o mundo estar em mutação conservar não é uma boa solução. Nesse sentido, não podemos limitar o que foi produzido, mas, acompanhar o progresso, trabalhando os conteúdos a partir do construtivismo e consequentemente refletir sobre os saberes produzidos. 

Capitulo 8: A reprovação compromete a instituição

Nesse capitulo, o autor considera que o processo de reprovação está ligado a um contexto amplo, não se trata de um fato isolado, não existe um único culpado, todos são responsáveis escolas, alunos, a família e todo o sistema.
Faz, uma retrospectiva de um modelo educacional que está presente na sociedade até os dias atuais. Apresenta entraves desde o início do processo de escolarização, como por exemplo: o sistema educacional que segregava os alunos que tinha acesso ao ensino.
Mostra também que os agentes da educação, mesmo portando títulos de administradores escolares buscavam seus próprios interesses, como melhores salários em instituições de ensino particulares e a opinião pública nas instituições da rede pública.
Fala também que o sistema social e político antes do neoliberalismo era excludente, e a escola era excludente, para ter acesso aos patamares superiores do ensino dependia de diplomas, e os poucos sobreviventes do sistema eram premiados devido a competição.
Enfatiza, que a escola quando estava voltada para a nobreza, era responsável de saber mais que as outras. Quando disseminou a educação e a escola pública, os agentes da educação encarregaram-se de manter tais currículos e programas distantes do povo.
Considera, que a escola existia mais para impedir que, propriamente, promover. Com essas mudanças a grande luta das classes dominantes era buscar as escolas que tinha rigidez programática, e consequente aprovação nas universidades.
Nessa perspectiva, para essas classes sociais uma escola não importa pelo tipo de cidadão que é capaz de formar, mas, pela capacidade de promover um estudante mesmo em uma competitividade selvagem.
 Considera que a reprovação foi algo construído, e é um mecanismo que serve a alguma coisa. O intuito da reprovação reproduz alguma coisa e a manutenção dela pode, perfeitamente, ser a causa da permanência de grandes injustiças.  

Capítulo 09: Os pontos fortes dos alunos

No capítulo nove o autor nos traz uma importante reflexão acerca das nossas práticas de avaliação dos alunos. É comum nas provas corrigidas os erros terem maior destaque que os acertos. Ora se o papel do professor segundo Santo Agostinho citado por Drucker no livro Sociedade pós- capitalista, é buscar os pontos fortes dos alunos, por que então dando uma ênfase maior aos erros cometidos por eles.
 Se olhamos só os pontos negativos, só os erros como podemos acreditar em uma salvação da educação? Como podemos criar expectativas, esperanças?
Para isso Werneck afirma que devemos corrigir sim os erros, porém os acertos que devem ganhar ênfase e serem chamado a atenção, para que assim fique bem fixado na mente do estudante.
Em seguida ele destaca que existe dois tipos de correções a mais inteligente e a menos inteligente. A menos inteligente é aquele que todos nós já conhecemos, onde o professor assinala o erro, grifa, rabisca e/ou ainda com canetas de cores diferentes e fortes para chamar atenção. A maneira inteligente supõe que o professor ao corrigir as provas tenha uma folha de papel ao lado e vá escrevendo nela as palavras erradas que apareçam. Mais tarde elabora um texto com essas palavras escritas de forma corretamente e trabalha com ele na sala com os alunos. Com isso “de tanto os alunos olharem para o que é certo, a correção será feita naturalmente” (Werneck, 1942). Sem precisar copiar varia vezes, sem raiva, sem sofrimento, trabalhando o lado positivo favorecendo o aprendizado, insistindo nos pontos fortes. 

Capítulo 10: A escola do futuro

Neste capítulo o autor faz algumas suposições a cerca da escola do futuro, para ele esta escola, invadida pelas máquinas e voltada para a tecnologia avançada, tenderá a valorizar os professores mais como educadores, estes tendo como principal função serem formadores de opinião e formadores de cidadãos, no sentido de resgatar a humanização nos alunos. De acordo com o mesmo autor, com a chegada da Escola do Futuro o processo de aprendizagem seria mais fácil, pois os alunos poderiam ter mais possibilidades e oportunidades de rever as matérias e também de entrar em contanto com os professores para tirarem suas dúvidas. Nos parágrafos finais do capítulo, o autor demostra algumas incertezas a respeito desta escola, mostrando preocupação em relação ao processo de aprendizagem dos alunos, e intui que as inteligências múltiplas invadirão os currículos e programas.

Capítulo 11: Mudando os paradigmas

Segundo Werneck (1942) “Paradigma corresponde a um conjunto de conceitos formados durante nossa vida. Ante uma questão, respondemos conforme nossa Cultura, nossos princípios ou paradigmas.” São os conceitos pré-determinados que nos façam elaborar as formas de agir em vários momentos de nossas vidas, e com a educação não é diferente, muitas vezes vários aspectos ligados as vivências no ambiente escolar nos transmitem respostas prontas e os por quês para determinadas assuntos. Porém o que autor propõe no capítulo é a reavaliação de tais paradigmas, proporcionando novas formas de se fazer a escola, com novos olhares, promover ao invés de reprimir, buscando os aspectos positivos dos alunos, e não só promover por que o sistema impõe, mas pela capacidade do aluno, que vai além do que um paradigma estabelece. O problema é que a tendência das escolas normalmente é valorizar os erros de seus alunos e não considerar os pontos positivos que eles têm.
Os paradigmas também impõem os conteúdos a serem estudados, muitas vezes os alunos não sabem o porquê de estarem estudando determinado assunto, nem mesmo o professor ou professora é capaz de conseguir dizer para que serve tal assunto para a vida do seu aluno, então por que estudar isso? A melhor forma de ir contra certos paradigmas é trazer conteúdos que tem relação com a vida dos educandos é uma proposta significativa que contribui para que não ocorram tantas desistências ou reprovações. O aluno ou aluna prefere estudar aquilo que tem significado para as suas vidas.

Capítulo 12: Sombreamento

Neste capítulo o autor explica sobre o sombreamento que atinge algumas escolas, esta sombra existe devido o pessimismo a tristeza a falta de motivação que os professores e os demais gestores apresentam ao chegar na escola. Os mesmos não têm metas, alegria entusiasmo para deixar o ambiente escolar mais atrativo para os alunos e as pessoas que frequentam aquele local, por isso a escola vive apenas na sombra.
Vale ressaltar que o autor aborda algumas frases que são citadas diariamente nas escolas sombreadas “A educação não tem mais jeito, Os alunos são indisciplinados. Não temos mais armas para enfrenta-los. Na escola há muito trabalho e pouca recompensa, estas frases fazem parte do vocabulário dos professores, que vivem com esse pessimismo em relação a escola, talvez falte iniciativas dos próprios para que estas frases sejam desconstruídas e saibam motivar e alegrar iluminar este espaço.
Algumas instituições podem mergulhar de acordo com o autor, sobre um nível de nebulosidade devido a fatores motivacionais, de gestão mergulhados por desconfiança, ou intrigas entre os colegas, egos em busca de reconhecimento e poder que se deixou de aprender e de criar ou ser criativo diante das crises. Isso acarreta na falta de ideias, desmotivação e de perspectiva de crescimento educacional e social.
E ai o autor continuando ele coloca alguns elementos que dependendo da identidade destes critérios com escola que irão identificar o grau de sombreamento em que a escola se encontra. Não basta ser humano, é preciso reverter estas características de pessimismo e buscar alternativas e reversão das crises do sombreamento.
Capítulo 13: Abatimento

Neste capítulo o autor falará que abatimento que é o resultado de uma combinação de fatores entre eles físicos e psíquicos. O autor alerta ainda neste capítulo sobre as consequências de levarmos maus sentimentos para dentro da sala de que acabará contaminando os alunos. Sentimentos de menosprezo da instituição.
O professor é uma peça chave na escola pois ele é formador de opinião, esta opinião é formada através de suas atitudes, suas camisetas, suas falas, seu silencio que podem ser usadas contra ele e contra a própria escola.
Esses tipos de comportamentos acabam desenvolvendo uma projeção em cadeia onde os sujeitos (direção, professores, alunos) nelas envolvidos se acusam resultando em um esvaziamento das salas de aula.
Capitulo 14 – Prostração

A discussão a cerca deste capitulo parte da perspectiva de incentivo que o professor necessita para cumprir as atividades propostas em uma semana cheia de atividades, onde nutre-se dos alunos, da vivência posta pelos outros profissionais, em relações de convívio profissional e educacional, o que deixa para ele um papel importante, onde ele serve de espelho para muitos alunos, que buscam no professor uma proteção, entre tudo que enfrenta, deve o professor está preparado para o imprevisível, o que nos torna uma missão complicada, posto as diversas realidades enfrentadas na realidade das escolas, o que muitas das vezes causa no profissional da educação uma prostração, nos tornando profissionais presos a fadiga, ou seja, profissionais cansados da profissão, passando a interferir no convívio/relacionamento com o corpo escolar, o que traz para a escola o papel de afastar esse profissional do seu cargo, visto o mal que ele pode trazer para toda essa relação aluno/professor, tornando assim um espaço sombreado.    

Capitulo 15– Ânimo e Persistência

No capítulo que se sucede, o autor irá colocar em pauta a questão da prostração, que nada mais é que um resultado do próprio abatimento e sombreamento dos capítulos anteriores. Para Werneck, um educador jamais poderá exercer sua profissão se estiver mergulhado num desânimo e tristeza profunda, deixando completamente a esperança e a alegria longe de sua vista. O pior é que tudo isso contaminará os alunos, por intermédio dos professores, que passarão a ter também um olhar negativo em relação à escola. Os educadores nos dias de hoje simplesmente esperam o fim do expediente e vão para casa com um pessimismo enraizado em suas mentes, deixando de lado qualquer sinal de mudança e dias melhores. Tal pessimismo impossibilita o mesmo de repor suas energias e qualquer nova esperança para o dia posterior, fazendo com que seu papel enquanto formador de opinião e transformador social caia ladeira abaixo. Assim como as demais profissões que alcançam êxito quando se tem um público fervoroso e animado, o educador também necessita nutrir-se com seu público-alvo, os alunos. Se os alunos transferem boas energias, ânimo e vontade de aprender a cada dia, o professor terá mil motivos para seguir sua caminhada emancipadora, caso contrário, perderá completamente sua identidade de agente social, de formador de cidadãos críticos e reflexivos.

Capitulo 16 – Educação gerada na esperança

O próximo capítulo, ânimo e persistência, o autor irá abordar uma questão crucial para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de ensino por parte de todos os sujeitos que compõem o ambiente escolar. Trata-se de uma questão de princípios, que deve prevalecer sobre cada um de nós enquanto futuros docentes. É necessário, antes de qualquer coisa, ter vontade e ânimo naquilo que se faz, ter uma filosofia própria de vida e estar disposto a encarar os obstáculos e desafios na qual passam todas as profissões.
Algo que me chamou atenção no autor é que ele sempre motiva, norteia e aponta passo a passo as metas a serem atingidas, além de abordar uma questão ética e filosófica convincente.  Todo e qualquer educador precisa estar munido de princípios e valores para que logrem êxito na sua profissão.

No mesmo capítulo é colocado em quesito um grande problema que a maioria das escolas enfrenta atualmente, que apesar de definir seus regulamentos democráticos e referenciais filosóficos coerentes e atraentes para a sociedade como um todo, acaba contratando professores avulsos, não munidos de princípios e /ou filosofia condizente com o que foi proposto pela escola, o que resultará em sérios conflitos e falhas no propósito ideológico da mesma. Isso se explica pelo atual cenário econômico que assola o país atualmente, em que muitas vão à busca de qualquer que seja o emprego, aceitando qualquer proposta, mas sem o ânimo e perspectiva necessária. 






terça-feira, 8 de agosto de 2017

AS CATEGORIAS GEOGRÁFICAS NA PERSPECTIVA DE DESENHOS



A produção de desenhos se faz presente no processo educacional desde as series iniciais. E corresponde uma das metodologias de ensino que possibilita maior desenvolvimento de aprendizagem. Dependendo da forma como são trabalhados, esses recursos didáticos despertam a criatividade e o interesse dos discentes pelo conteúdo.
É importante destacar que através desta atividade os alunos/as tornam-se construtores do saber, uma vez que, ao produzirem seus desenhos apoiados nas categorias geográficas, retratam as múltiplas imagens do imaginário, enfatizando sua realidade de vivência com o espaço geográfico.
Em algumas disciplinas essa atividade é desenvolvida geralmente sem estabelecer uma relação com os conteúdos trabalhados, desconsiderando a riqueza de informações que estes recursos englobam.
Apesar de os desenhos serem em sua maioria direcionados para disciplina de artes, estes podem serem trabalhados nos distintos campos dos conhecimentos científicos, em especifico a ciência geográfica que pode e deve desfrutar desse universo magico.
O desenho é a representação de uma imagem, que possibilita fazer uma contextualização com os conteúdos programáticos nos currículos, e comitantimente com a realidade dos alunos. É importante destacar que cada pessoa constrói os desenhos de acordo com a percepção de mundo que enxerga.
Nesta perspectiva buscamos desenvolver esta oficina na escola E.M.E.I.F. Cecília Estolano Meireles, com a turma do 7° ano A. Essa atividade sucedeu-se em quatro em encontros.

No primeiro encontro fizemos um levantamento dos conhecimentos prévios dos alunos sobre as bases conceituais da disciplina geografia, logo em seguida aplicamos a interversão teórica e metodológica enfatizando as categorias geográficas: paisagem, lugar, território, região e espaço. Para que os alunos/as tivessem uma dimensão dos conceitos da ciência geográfica.

 
 Abordagem teórica sobre as categorias geográficas 
Fonte: Arquivos PIBID


   Debate sobre os desenhos nas aulas de geografia
Fonte: Arquivos PIBID

No segundo momento iniciamos a parte prática da oficina, dividindo as equipes para construção de desenhos temáticos que abarcasse as categorias geográficas. Todos foram provocados a construir desenhos que correspondessem as respectivas categorias.

 Construção dos desenhos na perspectiva das categorias geográficas 
Fonte: Arquivos PIBID

Debate sobre o material produzido
Fonte: Arquivos PIBID

Produção de desenhos em grupos
Fonte: Arquivos PIBID

No terceiro encontro demos continuidade a construção dos desenhos, e a confecção de molduras para da maior visibilidade a criatividade dos discentes. 

Apresentação dos desenhos produzidos
Fonte: Arquivos PIBID

No quarto e último encontro, fizemos uma abordagem teórica sobre a produção dos desenhos em sala de aula, contextualizando com os conteúdos geográficos e a realidade dos discentes. Durante a apresentação dos trabalhos desenvolvidos, a partir das categorias geográficas, os discentes enfatizaram temas pertinentes do seu dia a dia, como por exemplo: o processo de urbanização, a modificação da paisagem no campo e na cidade, a cultura regional e local, os territórios das drogas, problemas socioeconômicos, entre outros.

Apresentação dos desenhos por grupos
                                                              Fonte: Arquivos PIBID

 Apresentação dos desenhos por grupos 
 Fonte: Arquivos PIBID
      Nessa oficina, percebemos através da participação dos alunos/as a importância da valorização dos conhecimentos prévios, e o poder da construção do conhecimento a partir de metodologias simples e fáceis de serem trabalhados.








segunda-feira, 19 de junho de 2017

RESENHA CRÍTICA DA OBRA “Rumos do Professor Contemporâneo: a epistemologia genética e o pensamento complexo”


ABREU, Paulo Roberto de. Rumos do professor contemporâneo: A epistemologia genética e o pensamento complexo. São Caetano do Sul-SP: Laura editorial, 2015. 119 págs.

O livro Rumos do professor contemporâneo: A epistemologia genética e o pensamento complexo trata de um alerta aos docentes, quanto os desafios da educação contemporânea. Além do mais, o autor propõe aos mesmos, através das ideias de Edgar Morin e Piaget, possibilidades para a transformação do fazer pedagógico. Este é composto por sete capítulos, no qual cada um trazem discussões pertinentes, preocupantes e reveladoras sobre o processo de ensino e aprendizagem.
O primeiro capítulo, intitulado como a complexidade do ensino escolar, aborda questões referente a formação do professor. Inicialmente é mostrado que os cursos formadores pautados nos moldes tradicionais, tem resultado em sala de aula numa didática linear e fragmentada. Em seguida, o autor enfatiza a necessidade do professor reconhecer o conhecimento, enquanto uma construção infinita do saber. Assim como, o desenvolvimento de um professor que também seja pesquisador.
A epistemologia genética é a temática discutida no segundo capítulo deste livro. O Paulo Roberto de Abreu analisa as ideias de Piaget, mostrando como os seres humanos constroem conhecimentos, por quais processos e etapas eles passam. Ele aponta a importância enquanto professores e pesquisadores em dar continuidade ao trabalho de Piaget, onde o mesmo enxerga-o como um dos rumos do professor contemporâneo.
Ainda neste capitulo, o autor discute dois assuntos importantes para o processo de ensino e construção dos conhecimentos que são: a afetividade e o ensinar com afeto. A afetividade é a mola propulsora de todo tipo de atividade, principalmente no ambiente escolar. A mesma se faz necessária e importante para que se venha a ter, um bom relacionamento entre aluno-professor-escola. Não só nesse tipo de relação, mas também como estratégia pedagógica.
Um professor que é afetivo com seu alunado vem a estabelecer uma relação de segurança, confiança, evitando os bloqueios afetivos e cognitivos. Através dessa interação é que o professor e o aluno estabelecerão na escola esses fatores afetivos que exercem uma influência que é decisiva e permite a relação de várias áreas na construção do conhecimento.
Quanto o ensinar com afeto, o autor aponta que os alunos esperam ser cativados pelos professores e que estes, não podem confundir sua autoridade profissional com autoritarismo, mais sim, desenvolver seu trabalho pautando-se no papel do professor libertador. Destaca que o desenvolvimento da inteligência, de acordo como os estudos de Piaget, está intimamente ligado a efetividade.
 Abreu incrementa que a carência de afeto familiar nas crianças contemporâneas faz com estas se apeguem aos professores. Entretanto a maioria dos profissionais, em especial os de escolas públicas não estão preparados para oferecerem o afeto necessário. Por esses e outros aspectos a responsabilidade do professor em sala de aula é muito significativa, pois através de suas ações ele pode construir e fortalecer sonhos ou destruí-los. 
Considera que a construção do conhecimento não precisa ser amarga e que a efetividade contribui para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem, além de destacar que os professores da modernidade trabalham com sujeitos de diferentes realidades, mas que mediante suas atuações é possível desenvolver a inclusão desde que haja uma boa relação entre professor e aluno.
Pontua também que é necessário mudarmos o ambiente educacional, transformando-o em um ambiente motivador e favorecedor da construção do conhecimento. Já que segundo a Teoria Epigenética de Lipton o ambiente pode moldar a vida. Não adianta, portanto como afirma morais (2008), citado no texto, colocar a culpa das dificuldades do ensino no sistema educacional, sendo que também somos responsáveis por aquilo que nos rodeia.
O autor considera que o ensinar aprendendo é um desafio constante, devido uma série de questões que envolve o sistema educacional, entre estas, pode-se destacar a complexidade do ensino enfrentado pelos sujeitos que compõe o espaço escolar.
Fala, que a noção de obstáculo pedagógico é desconhecida, ou seja, alguns professores devido uma formação tradicionalista de que são os detentores do conhecimento e consequentemente os discentes são pautados como receptores de conteúdo, realizam praticas contrarias ao exercício da docência. Os alunos/as não constroem conhecimento, apenas repetem como fossem cristalizados, muitas das vezes, sem utilidade para o público em questão. O professor não faz uma conexão com a as distintas realidades, dificultando assim, o processo de ensino e aprendizagem.
Destaca, a habilidade da autocritica, saber que pouco se sabe, e que o conhecimento é mutável. Enfatiza que o exercício da profissão requer uma solida formação. Mostra, que na contemporaneidade a estrutura familiar esta esfacelada com múltiplas mazelas socioeconômicas, e que estas problemáticas refletem diretamente no espaço escolar. Nesse sentido, o educar para esses sujeitos, terá um norte diferenciado.
Possibilita alternativas para que o professor reforce a capacidade crítica dos discentes, como por exemplo: auxiliando a tornasse criador, investigador, inquieto, rigorosamente curioso, humilde e persistente, e ensinar a pensar criticamente não com a cabeça bem cheia, mas uma cabeça bem feita.
Considera que ensinar exige respeito aos saberes do educando, e este é um dos maiores desafios do ensinar aprendendo. O mesmo cita Paulo Freire, no qual elucida que ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar possibilidades para a produção do saber. O aluno/a já tem uma carga de saberes, denominados conhecimentos prévios, que somados com um conhecimento novo gera mudança e consequentemente resultando na aprendizagem.
Relata, que são muito os fatores que influenciam no processo de ensino/aprendizagem dos educandos, o meio, o interesse em aprender, a afetividade entre outros, porém a afetividade é um fator determinante neste processo, devido muitos/as buscarem o carinho no espaço escolar.
No sétimo capitulo, o autor tratará de abordar e descrever questões relacionadas com a Interdisciplinaridade, a Transdisciplinaridade e a Metadisciplinaridade. Onde o mesmo traz de acordo com as ideias de Morin, a disciplina como uma categoria que divide e espacializa o trabalho.
No entanto, para a construção do conceito de interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, o autor se baseia nas ideias elaboradas por Jean Piaget (1980, p. 50), que traz a interdisciplinaridade como sendo o “intercambio mútuo e integração recíproca entre várias ciências”. Para o autor a interdisciplinaridade abriria espaço para chegarmos a algo mais integralizador, a transdisciplinaridade, onde para esta não haveria barreiras entre as disciplinas todas elas seriam quebradas, uma verdadeira integração global entre elas.
O autor ainda busca um outro conceito, elaborado por Milton Santos, onde este define a interdisciplinaridade como algo que vai além de uma mera colaboração entre disciplinas, sendo uma integração entre estas.
Paulo Roberto fala que, não devemos apenas combinar disciplinas em projetos, para que ocorra a interdisciplinaridade é necessário que haja a colaboração e parceria entre currículos de disciplinas para se chegar a uma única finalidade, onde chegaríamos a um currículo interdisciplinar.
Para chegarmos a este novo conceito, é preciso ir muito além da integração de diferentes disciplinas, não devem existir fronteiras entre essas áreas do conhecimento, esta interação chega a um nível tão elevado que de acordo com o autor, é praticamente impossível distinguir onde começa e onde termina cada disciplina.
No currículo metadisciplinar, cada disciplina tem um objetivo que as distingue das demais disciplinas, onde de acordo com Santos (2009, p.49) : “O que faz com que uma disciplina se relacione com as demais é o mundo, o mesmo mundo que, no seu movimento, faz com que a disciplina se transforme”. Atuando como coadjuvante, o mundo, ao mesmo tempo que une também transforma as disciplinas, fazendo com que elas busquem um único objetivo, obtendo assim, a metadisciplina.
Tanto a interdisciplinaridade como a metadisciplinaridade fazem com que, a ação docente não se justifique apenas na mera transmissão de conhecimentos isolados, mas sim, na articulação de vários conteúdos ou disciplinas, para que seja possível obter resultados significativos em determinado tema ou problemática.
Na unidade 3, Morin irá elencar e abordar os sete saberes necessários para a formação do professor, numa perspectiva futura. Um dos objetivos desses saberes é introduzir uma nova e criativa reflexão no âmbito geral, acerca dos debates que vêm sendo feitos sobre a Educação nos últimos anos. Morin, inicialmente, tece severas críticas ao método de ensino tradicionalista e aponto exemplos notórios da constante perpetuação dessa forma de ensino nas instituições escolares, como se fosse algo já pré-estabelecido e imutável. Evidência clara desse tradicionalismo nas salas de aula é a prática de memorização, resultando em um conhecimento fragmentado e ineficaz, reduzido inteiramente ao ensino tecnicista. Tudo isso impede que haja a construção mútua dos saberes, tanto por parte dos professores quanto dos alunos, uma vez que leva a ausência do verdadeiro significado do conhecimento construído, já que não ocorre a conexão entre o todo e as partes.
Diante tal situação, o renomado intelectual e educar Edgar Morin definiu e elencou sete saberes imprescindíveis para a educação contemporânea a cada saber tratado por ele trará consigo uma reflexão de como estamos trabalhando nossas práxis pedagógica, além de mostrar e sugerir caminhos para a superação dos desafios e incertezas que vive os programas de ensino atuais. No que toca ao primeiro ao primeiro saber, as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão, Morin destaca que a educação do futuro terá que enfrentar o problema do erro e da ilusão, na qual o maior erro seria desdenhar o problema da ilusão, isto é, devemos estar cientes que não existe conhecimento que não esteja ameaçado pelo erro da ilusão, cabendo exclusivamente aos educadores à identificação das origens dos erros, ilusões e cegueiras. O segundo saber, princípios de um conhecimento pertinente, o autor nos incita a pensar o conhecimento através da nossa visão de mundo. O conhecimento escolar é construído levando em conta o contexto (situação de informações em seu contexto, ganhando funcionalidade), o Global (tudo que se liga ao contexto e as suas partes), o multidimensional (levando em conta todas as dimensões humanas e sociais) e o complexo (interação e interdependência do conhecimento pertinente). Morin deixa perceptível que não significa unicamente ter acesso às informações, mas sim aprender a organizá-las e articula-lás, já que saberes isolados não funcionam. No que se refere ao terceiro saber, ensinar a condição humana, o sociólogo diz que para que tenhamos uma educação pertinente e multidimensional, o ensino deverá ser universal, focado na condição na condição humana. O homem só será completo enquanto ser plenamente humano quando é incorporado na e pela cultura, responsável por nos motivar a seguir estudando, pesquisando, refletindo, indagando e incitando cada vez mais as diversidades culturais e sociais do ser humano. Partindo para o quarto saber, o filósofo parte do pressuposto da necessidade de ensinar a identidade terrestre, uma vez que o nosso próprio destino intergaláctico é ignorado pela educação. Por isso a valia do ensino da história planetária e também o autor deixa claro como todas as partes do mundo se tornaram solidárias e conectadas. É relevante mostrar como os seres humanos estão mergulhados na complexidade do mundo, por isso a necessidade de trabalhar na sala de aula o tema da globalização, que ajuda bastante a entender como funciona todo esse processo, pois o mundo torna-se cada vez mais um todo e cada parte do mundo está presente em cada uma das suas partes. Relacionado ao quinto saber, enfrentar as incertezas, o antropólogo volta ao século XX, período em que se descobriu a imprevisibilidade dos tempos. Morin nos fala que a “educação deveria incluir os estudos dos grandes acontecimentos e desastres e o ensino das incertezas que surgiram nas ciências física, biológica e histórica”. Essa preocupação do educador é pertinente, já que vivenciamos e passamos por vários conflitos, guerras e crises sócio-política-econômicas, que afetam toda a população mundial, principalmente as mais carentes e desprovidas de escolaridade e entendimento crítico do mundo. No que se refere ao sexto saber, ensinar a compreensão, o grande sociólogo nos diz que a compreensão é meio e fim da comunicação humana, mas o mesmo contesta que a compreensão está distante e muito do ensino atual e, devido a isso, que deve haver uma mudança de paradigma e que seja realçada a importância da compreensão mútua, que só logrará êxito se houver uma inteira reforma das mentalidades. Como o próprio autor cita: “educar para compreender é uma coisa; educar para compreensão é outra”. Portanto, nós, futuros docentes, devemos ensinar para a compreensão, assegurando assim, uma base moral e intelectual para a humanidade, afiançando uma educação para a paz. O último saber de Morin, a Ética do Gênero Humano, traz consigo a ideia de gênero humano a partir da tríade individuo, sociedade e espécie, tríade essa que é indissociável, na qual seus elementos são inter-relacionados e co-produtores, ou seja, cada um é meio e fim dos outros. A Ética do Gênero Humano, como sugeriu o próprio autor, pode e deve ser trabalhado como tema transversal, juntamente com a educação ambiental, sexualidade, pluralidade cultural e saúde. Como vimos, todos esses saberes elencados e abordados pelo grande Antropólogo estão inteiramente inter-relacionados, conectados um ao outro é justamente devido a isso que o professor libertador deve trabalhar e incorporar todos os sete saberes nas suas práxis. Trabalhando esses saberes em suas didáticas, os docentes poderão mostrar que é possível buscar um conhecimento pertinente, sem causar repulsa nos estudantes, possibilitando assim apreender os problemas globais fundamentais para que se possa ensinar os conhecimentos parciais e locais. Sabemos que incorporar tais saberes no cotidiano do ensino não é uma tarefa fácil, pois os empecilhos e os problemas estruturais ainda são enormes, bem como a falta de incentivo governamental. O processo de aprendizagem é algo complexo e nós, futuros professores, precisamos diariamente ressignificar nossa práxis pedagógica, para que assim possamos criar novas situações de aprendizagem e novos cenários educacionais. Diante dessa complexidade da arte do ensino diário, é mais que necessário considerarmos o aspecto afetivo no processo de ensino-aprendizagem, pois não só o desenvolvimento cognitivo que tem influência sobre o desenvolvimento intelectual, mas a afetividade também, assumindo um importante posto na estruturação da inteligência e do intelecto.
No capítulo seguinte, o autor irá nos chamar atenção para a necessidade constante do professor se tornar pesquisador. Como já é sabido, a ciência sempre está articulada numa linguagem científica e que a teoria é de extrema importância para que haja a prática investigativa. Para satisfazer essa brecha, o docente precisa autoanalisar sua epistemologia, sempre buscando novas formas e conteúdos, criando novas metodologias e categorias de ensino para que possa trabalhar novas temáticas, despertando no alunado o incentivo pela pesquisa e investigação. Como já dizia Piaget (1996), o conhecimento não deve ser encarado como mero objeto de repetição continua, mas sim objeto de curiosidade, imaginação e permanente criação. Precisamos ter em mente que a complexidade da educação exige que a formação do profissional docente seja pensado e repensado a todo momento, abrangendo não só uma área especifica de atuação, mas sim transpondo barreiras e possuindo um caráter inter e transdisciplinar. Piaget retrata bem a diferenciação dos conceitos acerca da multi, inter e transdisciplinaridade. Enquanto a multidisciplinaridade abarca o nível básico de integração disciplinar, sem mudanças internas nas disciplinas envolvidas, na interdisciplinaridade são instituídos processos mútuos, com grandes interações e trocas de conhecimentos entre as disciplinas. Já na transdisciplinaridade é preciso recorrer a uma exploração de significados profundos, comparticipados por um conjunto de disciplinas, formando um sistema de múltiplas compreensões. O autor deixa óbvio que o docente do mundo contemporâneo precisa engajar-se plenamente no trabalho investigativo, de pesquisa, pois a educação também é regida pela pesquisa, como as demais profissões. O autor ainda faz duras críticas aos professores repentistas, que não preparam devidamente suas aulas, inventando planos em cima da hora e, uma vez que persistem em serem professores repentistas, sem nenhum estímulo investigativo, acabam por comprometer seu trabalho e fragmentando-o. Somente através da pesquisa que se pode encontrar uma saída promissora dos entraves e obstáculos do ensino, pois é somente com a construção de bases teóricas flexíveis e consistentes que se poderá alcançar uma postura crítica-reflexiva, diante de sua prática.
No capítulo seguinte (A Epistemologia da Complexidade) o autor irá discorrer acerca do pensamento complexo e suas implicações no processo didático-pedagógico. A premissa básica que precisamos entender é que o conhecimento possuiu um caráter extensivo e que está ligado a todos os sujeitos e objetos e que todas suas partes estão interconectas entre si, dando ao conhecimento um contexto mais amplo. O autor indaga no texto o verdadeiro conceito do “complexo”, erroneamente considerado como algo confuso, difícil, caótico e repleto de incertezas. Por isso a preocupação em trazer um sentido estreito do termo, afastando o incerto e retirando a ambiguidade. Porém tal operação, de acordo com o autor, é difícil de realizar-se, já que o risco de eliminar a premissa básica do complexus é extremamente grande. Mas devemos ter em mente que desde a formação do Universo até as relações pessoais são calçadas pela complexidade e que entender esse conjunto de elementos complexos no nosso espaço irá demandar muita observação e análise. Devemos ter em mente a ciência como um todo está em constante movimento e agitação e que o principal responsável pela sua atividade é a transformação mutável que ocorre nos cosmos e no mundo atual, regido pelo ser humano. No ensino o paradigma é o mesmo, pois a pesquisa é quem impulsiona e dar vida a um novo pensar. Sabemos que a escola é um espaço moldado pela fragmentação dos conhecimentos, já que sua estruturação e delimitação temporal é pré-definida. Porém, os mesmos sujeitos que imprimem essas demarcações são os que estão em constante interação com o ambiente escolar, fazendo da própria sala de aula um ambiente complexo. Morin acredita que o reajuste e remodelamento dessa condição imposta pode ser alcançada através da transdisciplinaridade, além de uma prática pedagógica libertadora. É preciso ouvir os alunos, que estão cada vez mais antenados com tudo o que acontece, eles podem até ter um conhecimento restrito, mas possuem indagações e posicionamentos curiosos, possibilitando também que o professor aprenda e enriqueça cada vez mais com essa troca mútua de informações. O autor traz a ideia do Paradigma da Complexidade como superação eficaz do modelo tradicional, já que esse paradigma apresenta uma nova concepção e um eixo de interconexão das partes, formando o todo. Traz consigo uma nova visão de sociedade, de homem e de mundo e na formação docente não é diferente, esse novo paradigma obriga aos profissionais da educação a buscarem uma qualificação contínua, com uma visão crítica e reflexiva. Essa transcendência de paradigmas da ciência para educação possibilita também o afastamento do viés conservador e tradicionalista, permitindo novos horizontes e novas maneiras de trabalho, ensino e pesquisa. É pertinente ressaltar que é a transdisciplinaridade é o percurso a ser seguido, para que se consiga romper com o passado e os limites imposto pelo sistema, que fragmentam o saber, dando espaço cada vez mais ao pensamento que une o múltiplo e o diverso. O autor deixa claro que é preciso desconstruir o paradigma da simplificação e por mais que nos dias atuais as ações dos professores sejam influenciadas por tais modelos simplórios, sua concepção pode e deve ser passível de mudanças no decorrer de sua história profissional. É preciso interromper com o sistema hegemônico, repleto de concepções lógicas, com um conceito paradigmático estreito. A mudança de paradigma é imprescindível e o pensamento complexo é único capaz de oferecer tal mudança, uma vez que ocasiona uma notável transformação no modo de pensar e possibilita um diálogo múltiplo com os diferentes sujeitos existentes.

Diante disso, Morin traz consigo os “sete princípios básicos gerativos do método complexo”, princípios estes que criam um pensamento do contexto e do pensamento complexo, que liga e enfrenta a incerteza, passaremos a elencar e definir a partir de agora. O primeiro é o Princípio Sistêmico que diz que o todo é mais que a soma das partes e que a soma do todo é menos do que a soma das partes e aí dessa premissa surge o princípio da emergência, quando a organização do todo produz qualidades novas em relação as partes.  O segundo é o Princípio Hologramático, onde cada ponto e/ou lugar contém a totalidade da informação de determinado objeto. Esse princípio coloca em evidência um paradoxo, em que o todo está nas diferentes partes, como as partes estão no todo. O terceiro é o Princípio do Círculo do Anel Retroativo, que rompe com a ideia da causalidade linear. Esse círculo ocasiona um processo auto regulador (continuidade), pois a causa age sobre o efeito e o efeito age sobre a causa. Exemplo disso é a sociedade que, por ser bem dinâmica, está sempre buscando, a partir de suas ações sociais, políticas e culturais, a manunentenção desse ciclo dinâmico retroativo. O quarto princípio é do Círculo Recursivo, que ultrapassa a noção de regulagem para a de autoreprodução e autorregulação. A premissa básica é que os produtos e os efeitos são propriamente vistos como os produtores e causadores daquilo que produz. Na escola, isso é bem perceptível, no que toca aos sujeitos que produzem e causam inter-relações distintas, perante suas ações. O quinto princípio é o da Auto-eco-organização, na qual os indivíduos se auto produzem ininterruptamente e gastam energia para assegurar a sua autonomia. Os sujeitos possuem, simultaneamente, autonomia e independência. O sexto princípio é o Dialógico – “definido como uma associação complexa de instâncias necessárias em conjunto à existência, funcionamento e desenvolvimento de um fenômeno organizado”.  Permite também a junção de ações contraditórias. Por último, temos o princípio da Reintrodução do Conhecimento em todo o Conhecimento, que atua na restauração do sujeito, evidenciando um problema cognitivo central, em que todo conhecimento é uma reconstrução, desde a percepção até a teoria propriamente definida. Todos esses princípios funcionam como uma possibilidade de mudança do pensamento de natureza não programática para uma paradigmática, já que permite que nós possamos organizar nossos conhecimentos, fazendo que compreendamos nossa lucidez e permita o uso pleno de nossa inteligência. Isso deixa claro que a complexidade é um desafio a ser cumprido e que não depende só de nós, mas de todo um conjunto que rege o mundo complexo. Em síntese, precisamos pensar de forma complexa para que, quando nos defrontarmos com a necessidade de articular, relacionar, trabalhar e contextualizar os conhecimentos, não tenhamos dificuldades.

domingo, 11 de junho de 2017

PARTICIPAÇÃO PIBID SUBPROJETO GEOGRAFIA EM EVENTOS CIENTÍFICOS

 II CONAPESC - Congresso Nacional de Pesquisa e Ensino em Ciências
Tema: Formação para o ensino e a pesquisa em ciências: saberes multidisciplinares.